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Introdução (Um Homem Muito Especial)
Demétrio não marcou as pessoas apenas pela sua energia e capacidade de criar. A sua estatura como ser humano marcou tantos quantos com ele conviveram. Sua integridade e sua sensibilidade humana eram completadas pela perseverança e pela fé. Fatos comprovados por quantos o procuravam para se aconselhar e comprovado pelas inúmeras vezes em que foi homenageado como paraninfo tanto em Bragança Paulista , como em Socorro, e depois em Vila Aricanduva , ou como professor especialment
e amado.
Apesar de todos os dissabores e tragédias que a vida já lhe apresentara, sempre manteve a esperança da fé cristã, a certeza do sentido da vida e do sentido da dor, sobretudo mantendo a alegria da doação pessoal.
Deu-se generosamente aos brasileiros, transmitindo seus conhecimentos e arte, como também com a mesma espontaneidade, trabalhou nas margens do rio Tocantins e nas praias do Litoral Norte de São Paulo.
Sua dedicação e sua arte não morreram. Continuam a crescer através do desenvolvimento e crescimento de sua orquestra tão querida, na vocação assistencial de Elizabeth, na obra pedagógica de Ludmila, e através da semente plantada em seu neto Sérgio Igor Chnee, que foi completar seus estudos de regência e composição na terra natal de seus avôs.
Foi de 1672 à 1725 o período de vida de Pedro I, o “Czar¹ de Todas as Russias”, que recebeu o cognome de Pedro, o Grande pelo seu frutífero e inteligente reinado. Pedro, o Grande organizou o exército e a armada russa, ocidentalizando o povo – um de seus acordos feitos com países estrangeiros a fim de modernizar seu país foi com a Alemanha: recebeu de braços abertos, para o auxiliarem na formação de seu exército, vários oficiais do exército alemão que se transferiram para a Rússia, engrossando suas fileiras.
Foi nessa oportunidade que Herman Kipman (bisavô de Demétrio Kipman), um jovem oficial suíço, migrou para a Rússia dando origem aos Kipman da Rússia.
A família Kipman “russificou-se” – de luteranos passaram a ortodoxos.
Samuil, descendente de Herman, casa-se com uma báyarina da Sibéria, de ascendência tártara (báyarina era o título que recebia a filha de um boyardo – antiga nobreza russa, título que deixou de existir após as reformas de Pedro, o Grande).
Dessa união, nasce o pai de Demétrio Kipman, Samuil Samuilovich (significa de acordo com os costumes russos: Samuil filho de Samuil), na cidade de Stavrapol, no Cáucaso, em 1835.
Seguindo a tradição da família, Samuil entra para o exército e passa a fazer parte da Guarda Imperial Russa, chegando a segundo tenente.
É nessa época que doente, com angina (moléstia coronariana), é reformado pelo exército.
Nota: 1. Czar = Título que se dava ao Imperador da Rússia e aos antigos soberanos sérvios e búlgaros (Dic. Novo Aurélio-Sec XXI)
Família Materna (da Alemanha para a Rússia)
Ellen Block, mãe de Demétrio Kipman, nasceu em 29 de abril de 1865, em São Petersburgo , de mãe alemã: Henriqueta Frederika Ludwika Hirschfield – nascida em Hamburgo, Alemanha – e de pai John Block (John traduzido para o russo é Ivan), nascido em Londres, 1825.
Os pais de Ellen haviam se conhecido em Hamburgo, onde se casaram em 1845 e rumaram para a África.
A nova família, formada inicialmente por John e Henriqueta, passou a residir em um carroção de oito juntas de boi – e foi assim que enriqueceram, com o comércio de marfim. Transferiram sua residência de volta para a Alemanha, e depois de algum tempo para a Rússia, em São Petersburgo. Sua residência ficava bem em frente ao famoso Palácio Anitchkoff, pertencente ao czar Alexandre III, filho de Alexandre II, que nasceu e morou naquela cidade.
De suas janelas, a família Block podia ver os passeios solitários do czar pelos parques do palácio (Tzárskoe Seló), e presenciaram também a esplêndida procissão por ocasião do seu casamento.
John Block, avô materno de Demétrio Kipman, foi uma pessoa de espírito aventureiro, e bastante dinâmico. Foi ele quem introduziu na Rússia, através de suas lojas de representações, novas invenções da Equipamentos de Engenharia dos Estados Unidos, e da British Manufacture, desde 1896 – data em que fundou a matriz em São Petersburgo.
Entre essas invenções introduzidas por John Block na Rússia podemos citar:
Brown & Sharpe - Machin e Tools
Continental Gin - Cotton Gins (from Birmingham Ala)
Columbia Bicycles - Swift Bicycles
Edison Phonograph
Fairbanks - Scales
Fay & Co. - Woodworking Machinery
Lamb Knitting Machines
Page Belting
Penna Lawn Mowers
Willcos and Gibbs Sewing Machines
Yale & Town Equipment
Amberg Letter Files
Burroughs Adding Machines
Edison - Mimiographes
Derby and Culter Desks - Office Furniture
Globe – Wernicke Book-cases - Office Furniture
Remington - Typewriters
O valor de John vem de, além de haver vencido as dificuldades climáticas da Rússia conseguindo realizar importações, ter conseguido apresentar essas novidades à população, conseguindo sua confiança, e portando, sua adesão no uso dessas novidades.
Com o passar dos anos, John começa a ter problemas de reumatismo, e foi aconselhado por seus médicos a mudar sua residência para lugares de clima mais ameno. Transfere-se para Abbazia (hoje Itália, mas naquela época Áustria).
John apresenta ao Imperador Francisco José o fonógrafo e equipa em 1880, a estrada de ferro austro-húngara, com balanças decimais Fairbanks, pelo que foi condecorado pelo Imperador. John faleceu em 1916, tendo sido enterrado com honras militares.
Ellen Block (mãe de Demétrio Kipman) vem para Moscou em 1875 onde passa a estudar na escola particular da Princesa Michiérskaia. O certificado desse curso permitiu-lhe a admissão às provas do Comitê Examinador da Região de Ensino de Moscou, quando obteve como resultado “excelente” em Geografia e Matemática com a apresentação das seguintes teses “Panorama Físico e Político da Inglaterra” e “Multiplicação e Divisão de Números Compostos”, recebendo o título de Professora Domiciliar. Foi a primeira mulher a estudar e se graduar em matemática pela Universidade de Moscou.
A União de Samuil e Ellen (pais de Demétrio)
Casaram-se em 5 de junho de 1888, em Moscou e tiveram sete filhos. Após o casamento, o casal Samuil e Ellen fixou sua residência na região do Don, em Rostóv, onde o marido abriu uma fábrica de amido. Por causa do problema de saúde de Samuil, venderam a fábrica e compraram uma fazenda em Zímnevo, na Zona Central da Rússia, a mais ou menos duzentos quilômetros de Moscou, no ano de 1894.
Em 1898 voltam a residir em Moscou, quando então Samuil se associa ao sogro, John Block. Ellen tocava piano muito bem, falava russo, francês, inglês, italiano e alemão. Ao contrário de Samuil, que era filho único de uma família pequena, e que residia longe, no Cáucaso, sua esposa possuía uma grande família com vários tios e primos, que freqüentavam sua casa. O ambiente familiar dos Block e Kipman sempre foi fervilhado de arte. Por isso não era de se estranhar que um dos irmãos de Ellen, Iúlius Block (tio de Demétrio Kipman), grande amante e incentivador da música, tenha sido um dos amigos de Tchaikovski.
Samuil Samuilovich tocava violoncelo. Ele no cello e Ellen ao piano, juntamente com dois amigos (à viola e ao violino – um deles o spalla do Teatro Bolchoi) divertiam-se tocando juntos às quintas-feiras, noite reservada por eles para tal.
Moscou, desde esta época, já apresentava durante o ano todo, uma grande variedade de concertos, ballets e óperas, aos quais o casal freqüentava com certa assiduidade, levando consigo seus filhos à medida que sua idade permitisse.
As crianças, segundo a tradição da época, fizeram seus estudos iniciais em casa, com professores particulares sob a orientação e supervisão de Ellen, até entrarem na primeira série ginasial, o que equivalia à nossa atual quinta série do primeiro grau.
Ellen e Samuil procuraram ter sempre em casa governantas de nacionalidades diferentes para as crianças, e assim elas tiveram oportunidade de ainda pequenas, aprenderem além do russo, o francês, o inglês e o alemão.
Ficou sendo uma tradição familiar, a partir de sua moradia em Moscou, organizar e apresentar, uma vez por mês, um sarau, homenageando algum artista de expressão.
Para tanto, depois de decidido qual seria o artista homenageado, eram divididas as tarefas entre crianças e adultos para estudo e apresentação sobre a biografia, a arte, e o trabalho do mesmo: se era músico, complementava-se com apresentação de peças suas, quando poeta, recitava-se, e assim por diante. Essas peças eram executadas pela pequena orquestra familiar, composta pelos sete filhos do casal, além de alguns primos. Para esses saraus eram convidados, além de familiares, amigos mais chegados, que também vivenciavam a cultura.
Dmitri nasceu em 14 de fevereiro de 1905. Era o sexto filho do casal Samuil e Ellen. Seus familiares sempre foram unânimes em apontá-lo, desde pequeno, como uma criança especialmente sensível e amável. Esta sensibilidade se expressará quanto ao Belo (em suas formas) e quanto ao Bem (na sua empatia toda particular com cada pessoa).
Dmitri começou sua participação na orquestra “familiar” tocando pratos. Quando um pouco maior, deixou-os para seu irmão caçula e passou para o trompete. Como seus irmãos, fez seus primeiros estudos em casa, sob a supervisão de sua mãe. Em seguida foi admitido num ginásio para ciências humanas, onde entre outras matérias, estudou grego e latim. Nesse ínterim começavam os primeiros clamores da revolução bolchevista russa. Dmitri entra na escola real, preparatória para engenheiros, onde além de estudar ciências exatas, cursa também francês, alemão e russo.
Quando a família, tentando fugir da revolução, vai residir na Criméia, Dmitri entra na Academia Naval, em São Petersburgo , passando a se encontrar com a família somente nas férias. À procura de tranqüilidade muda-se depois para Sebastopól, vivendo inicialmente sozinho. Com a retirada dos civis de lá, Dmitri passa a residir com os cadetes.
Em 1917, estando a Rússia praticamente ocupada pelos bolchevistas, Dimitri, juntamente com os outros cadetes recebe ordem para partir. Sem ter idéia do que lhe pudesse acontecer, vai se despedir de sua mãe, e com isso perde o navio com o qual zarpou sua escola. Embarca no cruzador do Barão General Wrangel – comandante das forças brancas, servindo como sinaleiro até o cruzador alcançar seu navio escola, para o qual é transferido. Ruma agora para a Argélia – Biserta. Em depoimento posterior, o próprio Dmitri contou que a embarcação partia vagarosamente do último pedaço do território russo, até então livre, sob o fogo das armas dos bolchevistas que atiravam contra o navio.
A Legião Estrangeira cede-lhes um forte. Aí passam a viver em regime militar. Como os franceses estavam em conflito com os árabes, o forte servia-lhes de defesa na região.
Os cadetes russos tiveram uma vida difícil nesse forte. A comida era pouca: por refeição recebiam um prato de sopa onde vinha boiando uma batata, e de sobremesa uma fatia de pão, enquanto que os exercícios continuaram na mesma intensidade de antes.
Dmitri ficou no forte mais ou menos um ano e meio, quando apesar de estar sem resistência física, e sem dinheiro, consegue chegar até onde sua família o espera, de acordo com o combinado, na Abbazia, em casa de seu avô materno John Block.
Tendo chegado em péssimas condições físicas, agravadas por uma viagem de mais de 48 horas, feita sem se alimentar, quase não foi reconhecido. Teve que curar essa inanição para depois poder dar prosseguimento a qualquer outro plano de vida. Vai para a Iugoslávia, onde se inscreve na Academia Naval Mercante em Boca Catorska , na costa do Mediterrâneo. Percebendo que não era bem isso que queria para sua vida, abandona a Academia depois de dois anos e se transfere para Zagreb, onde se inscreve e passa a freqüentar uma escola técnica de engenharia. Dmitri passa então a morar com seu irmão Sergio, que com sua jovem esposa iugoslava, residiam com seu sogro a quatro quilômetros de Zagreb. Depois de fazer esses quatro quilômetros à pé para assistir às aulas da manhã, Dmitri dava aulas de piano cujo pagamento era comida. Depois das aulas da tarde tocava piano em um teatro, para custear seus estudos.
Em 1922, sua cunhada, esposa do seu irmão mais velho, Constantin, consegue um visto de saída da Rússia, e deixando seu marido e filho como reféns, vem visitar a família. Deixa suas jóias para Dima (diminutivo russo de Dmitri), que era seu afilhado, ajudando-o no custeio de seus estudos.
Em 1926, juntamente com seu irmão Sergio, sua cunhada Lúbtiça, sua sobrinha Leonida, e seu irmão caçula Leonid, parte do porto de Hamburgo, Alemanha, para o Brasil, onde resolveram se estabelecer. Pisa o solo brasileiro pela primeira vez aos vinte e um anos.
O navio desembarcou em Santos a 11 de agosto de 1926 (Nesse dia morre Vitório Calzavara, pai de Rina, que futuramente viria a ser esposa de Dmitri).
Miguel, o primeiro dos irmãos Kipman que havia imigrado para o Brasil, os esperava no porto de Santos para lhes dar as boas vindas e ajudá-los nas dificuldades da língua desconhecida.
Dmitri, para facilidade de linguagem, traduz em seus novos documentos o seu nome para Demétrio. Começa a sua vida profissional brasileira como ajudante de topógrafo na prospecção da estrada de ferro Mayrink Veiga, de Santos à Jundiaí, onde permaneceu somente quinze dias, dadas as péssimas condições de trabalho.
Regressa para São Paulo, onde começa a ganhar a vida como pianista, tocando em alguns bares e casas noturnas.
De São Paulo para Bragança Paulista:
Foi nessa época que soube, através de um amigo russo, afinador de pianos, haver uma vaga para o cargo de regente da Orquestra do Cine Central de Bragança Paulista.
Apresenta-se para o teste, deixando as pessoas admiradas, por ter interpretado brilhantemente, à primeira vista, a “Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro” de L. M. Gottschalk, música que até então desconhecia. Muda-se para Bragança Paulista, e passa a residir no hotel Roma, onde desenvolve duas amizades: com o Sr. Virgulino Nascimento e o Sr. Oliveira. Estes o apelidam de “o italiano”, pois é nessa língua que se comunica com os brasileiros enquanto não domina o português. Futuramente passa a dominar a língua portuguesa muito bem, e sem sotaque – uma exceção entre imigrantes de primeira geração.
Posteriormente, convida seus amigos Virgulino e Oliveira, e alugam uma casa: se arranjavam com o café da manhã, e mandavam vir marmita do hotel para o almoço e o jantar. Convida seu irmão Miguel, que com sua esposa Catarina (chamada carinhosamente de Kátia), e Leonid, vêm morar com os três. Agora Kátia passa a tomar conta dos três amigos.
Esta casa ficava na rua Barão de Juquerí, perto do hotel Roma. Demétrio compra um piano e passa a complementar o seu ordenado, dando aulas de piano.
Para seu entretenimento e de seus amigos, forma um quarteto com Virgulino, Jaime Silveira e Leonid (seu irmão) aos violinos, e ele ao piano, reunindo-se em sua casa para tocar.
A chegada do casal Braunwieser:
Demétrio e seus irmãos conseguem economizar algum dinheiro, e um ano depois trazem para o Brasil sua mãe, Ellen, e sua irmã Tatiana com o marido, Martin Braunwieser. Inicialmente eles moram em Bragança Paulista , mas alguns meses depois, o casal Braunwieser se transfere para São Paulo, onde Martin, austríaco de nascimento, e músico por profissão (tocava flauta e viola, além de ser regente e compositor) tem um campo maior para procurar trabalho.
Tatiana e Martin, sendo excelentes músicos conseguiram em pouco tempo ganhar reconhecimento dos mais importantes musicistas brasileiros como o musicólogo e escritor Mário de Andrade, e o compositor Heitor Villa-Lobos. O casal Braunwieser fundou a sociedade Bach de São Paulo, que por 42 anos (1935-1977) abrigou os maiores nomes da música brasileira. Martin e Tatiana, além de sempre manter o contato estreito com os parentes de Bragança, estiveram por algumas vezes se apresentando na cidade.
O aumento de família, acrescido do fato de que Virgulino começa a viajar muito, faz com que Demétrio, Miguel e Kátia se mudem para uma casa mais espaçosa, na rua Coronel Leme.
A Fundação da Orquestra Sinfônica de Bragança Paulista:
Com o advento do cinema falado e o conseqüente desligamento da orquestra com o Cine Central, Demétrio, incentivado pelos músicos, organiza uma nova orquestra, que passa a se apresentar publicamente, com o nome de “Orquestra Sinfônica Amadores da Arte Musical”, cuja primeira aparição em público se deu em 09 de maio de 1931. Assim que Demétrio consegue arrumar sua documentação, passa a ministrar aulas no Colégio Diocesano São Luiz, de Educação Musical, que naquela época recebia o nome de Canto Orfeônico.
Seu amigo José Hildebrando Bretas o ajudou a obter o registro de professor em 12 de dezembro de 1933, para ministrar aulas de matemática, desenho, física, química, estatística, inglês, e francês. Logo que passa para a condição de homem casado, é convidado para ministrar aulas também no Colégio Sagrado Coração de Jesus. Com os registros obtidos, passa a dar aulas nesses dois estabelecimentos de ensino e também na Escola de Comércio “Barão de Rio Branco”. Ministra aquelas matérias que a escola necessita.
O Casamento de Demétrio com Rina Calzavara:
Rina Calzavara, que havia procurado a família Kipman a fim de aumentar seus conhecimentos em arte, passou a ter aula de piano primeiramente com Tatiana, e quando esta se muda para São Paulo, continua suas lições com Demétrio em desenho e música. Ao mesmo tempo toma aulas de francês com Ellen. As qualidades humanas e a sensibilidade artísticas de ambos os unem no afeto. Casam-se em 12 de janeiro de 1935.
Demétrio continua a desenvolver atividades artísticas, também organizando festivais nos colégios sempre podendo contar com a colaboração de sua esposa, que além de tocar harmônio na orquestra, era a “costureira” dos trajes especiais para as apresentações, a “hotesse” quando vinham artistas da capital, e principalmente, sua mais ardorosa fã.
Em 1936 recebe uma taça de prata como prêmio por sua participação regendo sua orquestra na cidade de Campinas, por ocasião das comemorações do centenário de nascimento de nosso grande compositor Antonio Carlos Gomes. Em 16 de junho de 1941, naturaliza-se brasileiro.
Em fevereiro de 1945, muda-se com sua família para São Paulo, onde passa a fazer parte do magistério público, lecionando francês. Ao mesmo tempo faz uma incursão pelo campo da indústria criando a “Artefatos de Couro Brasilarte”. Procura, auxiliado pelo sempre seu amigo, Hildebrando Bretas, a revalidação de seu diploma da Escola de Engenharia da Iugoslávia – mas, não consegue, pois naquela época os chamados países socialistas eram vistos com muitas ressalvas e seus títulos não reconhecidos.
Durante os dois anos de sua moradia em São Paulo (1945 e 1946), vem a Bragança Paulista para ensaiar semanalmente a sua querida orquestra, e para suas apresentações ao público.
No final do ano de 1946, faz sociedade com os professores Ângelo Magrini Lisa, Luiz Mendes Ferreira, e José Nantala El Bádue, adquirindo a Escola de Comércio “Barão de Rio Branco”. Volta, então, a residir em Bragança Paulista , onde também volta a fazer parte do corpo docente do Colégio São Luiz e do Colégio Sagrado Coração de Jesus.
Em 1948, é fundado, em Bragança Paulista , o Colégio Estadual “Casper Líbero”, no qual Demétrio se inscreve e passa a ministrar aulas de desenho – primeiramente como professor interino e depois, como professor efetivo. Toma posse de seu cargo efetivo em 11 de fevereiro de 1948 na cidade de Bebedouro. Transfere-se para Mogi - Mirim, sendo nomeado diretor interino da escola estadual de Bragança Paulista. Com a nomeação do diretor efetivo, Demétrio toma posse de suas aulas agora em Socorro, onde permanece até conseguir fazer permuta de sua cadeira com a de Bragança Paulista.
Em 10 de novembro de 1961, o amado maestro recebe das mãos do então prefeito, Sr. José de Lima, o título de Cidadão Honorário Bragantino pelos serviços prestados à cidade no âmbito cultural.
Durante todos os anos nos quais esteve à frente da “Orquestra Sinfônica Amadores da Arte Musical”, jamais deixou de abrilhantar as festividades locais sempre que a Sinfônica foi convidada a tocar. Sua família sentia ser a orquestra um prolongamento da mesma – por isso lhes era natural participar de suas atividades, quer tocando algum instrumento, quer assessorando alguém outro a tocar, dando aulas de ballet, preparando coreografias para as alunas, ou apresentando-as em Bragança Paulista ou outra cidade das cercanias.
Demétrio organizou também o coral da Sinfônica assumindo com muito amor, seu preparo e apresentações.
Em 1962, Demétrio volta a se transferir para São Paulo. Deixa, após 31 anos, a batuta para seu companheiro de longa data o Sr. Ernesto Mascaretti, cuja estante era a da clarineta.
Em São Paulo, além de prosseguir no magistério oficial com suas atividades pedagógicas no Colégio Estadual de Vila Aricanduva, o fez também no Colégio Benjamim Constant.
Em 1970 aposenta-se como professor do Estado. Demétrio, para poder auxiliar uma de suas filhas e genro, faz um curso sobre doenças tropicais e parte para Miracema, Goiás, hoje Estado de Tocantins, onde participa de ações comunitárias trabalhando voluntariamente para a Prefeitura local na área de saúde pública (preventiva, educativa e assistencial) diretamente no planejamento e estruturação da cidade.
Mesmo aposentado Demétrio não pára. Em 1972 transfere sua residência de Miracema do Norte para São Sebastião, no litoral paulista, onde é convidado a voltar a ministrar aulas no colégio estadual desta cidade.
Para as comemorações do quadragésimo quinto aniversário da Sinfônica volta a Bragança para reger, no dia 08 de maio de 1976, como convidado de honra e pela última vez, a sua querida orquestra e coral, num total de mais de cem integrantes.
Em 23 de novembro de 1977 sofreu um enfarte fulminante. Seu corpo foi levado por parentes e amigos, muitos deles vindos de Bragança Paulista, para permanecer junto ao de sua mãe no cemitério de Vila Mariana, São Paulo.
Entre as homenagens póstumas que lhe foram feitas constam o seu nome em duas ruas nas cidades de São Paulo e Bragança Paulista.