História da Sociedade Sinfônica 

Em 09 de maio de 1931 nascia de um sonho dos músicos bragantinos a Sociedade Sinfônica Amigos da Arte Musical que, sob a liderança de Demétrio Kipman, russo radicado no Brasil, acabaria por estabelecer em alguns de seus membros a música como uma das razões de suas existências.

Com o fim do cinema mudo a orquestra foi extinta (consulte a História do Maestro Demétrio Kipman para mais informações) e os seus músicos, agora admiradores das qualidades de seu líder resolveram convencê-lo a permanecer em Bragança Paulista, a fim de que se pudesse formar uma orquestra sinfônica de amadores para concertos. Consulte, também, o Tempo de Permanência e Dedicação Voluntária dos Fundadores.

Participaram do primeiro concerto, em 09 de maio de 1931 os seguintes músicos:
Piano: Demétrio Kipman
Violinos: Antonio Mendonça, Jayme Silveira, Fábio Calzavara, Dionisio Prandini e Antonio Serralvo
Contrabaixo: Pedro Leonetti
Flauta: José Ramos
Clarineta: Dario Giovaninni
Pistões: José Aricó e Victor José Guerra
Trombone: João Pellegrino
Baixo: Paschoal Brandi

A segunda foto, ainda no início da vida da Sociedade, representa a segunda formação da orquestra. Em pé, da esquerda para a direita temos: João Pellegrino, José Ramos, Emílio Bianchi, Ernesto Mascaretti, Dionísio Prandini, Antônio Serralvo, Helvécio Politi, Jaime Silveira, Fábio Calzavara, Pascoalino Brandi. Sentados, da esquerda para a direita: Nicolau Barra Junior, Jandira Ribeiro, Demétrio Kipman, Maria Pupo, Nicolino dos Santos.

A orquestra, denominada Sociedade Sinfônica Amigos da Arte Musical, representava a sobrevivência do grupo de amigos que tocava no cinema mudo. Contava inicialmente com treze

componentes e fez sua primeira apresentação em 09 de maio, de 1931, data em que se comemora seu aniversário. A liderança do grupo era exercida por Demétrio Kipman que tocava o piano e sinalizava para os músicos. Somente após 1945, catorze anos desde a fundação, com a chegada da professora Conceição Barker Barra ao piano, Demétrio Kipman passa a reger o grupo. Isto se deu até 1962 quando deu por encerrada definitivamente a sua participação.

O esforço dos músicos integrantes da "Sinfônica" como ficou conhecida, deu muitos frutos, tais como a formação de um coral, de um corpo de baile com bailarinas clássicas, curso de formação de músicos e outros. Os bailados eram organizados pela Prof ª Rina Calzavara Kipman, Bruna Petrovsky, Zélia Souza Franco, Maria Olenewa, e formaram gerações de graciosas jovens bragantinas; muitos alunos de piano do Maestro Kipman, de violino de Antonio Mendonça, Maria Lourdes Barra, Rafael Barker, Mário Supioni, já gravitavam em torno da própria Sociedade; o canto coral já era cultivado; tudo feito em nome da arte e para o aprimoramento dos integrantes e encanto dos espectadores - a semente frutificava.

Durante longos anos, sob a regência de Demétrio Kipman, a Sociedade Sinfônica Amigos da Arte Musical, ou S.S.A.A.M., como também é conhecida, foi uma orquestra que abrilhantava as principais solenidades cívicas, as formaturas do Colégio Diocesano São Luiz, Colégio Sagrado Coração de Jesus, Cásper Líbero, recepções, homenagens, ordenações sacerdotais em suas datas comemorativas, eventos festivos da Diocese, etc., além de realizar concertos sinfônicos ordinários e extraordinários, oportunidade em que trazia artistas de renome como: Lavínia Viotti, Tatiana e Renata Braunwieser, Maria C. Pupo, Vladimir Rushizky, Gino Alfonsi, Leon Kaniefsky, Bráulio Martins, Constanzo Mascitti, Eudóxia de Barros, entre outros.

Desse tempo permanecem guardadas como curiosidade duas notas promissórias que tornam evidentes as dificuldades financeiras vividas por uma sociedade sem patrimônio e como elas eram resolvidas. A primeira nota promissória foi emitida pelo Sr. Fábio Calzavara, membro-fundador, e avalizada pelo Dr. Arthur Ferreira Cintra, Presidente; a segunda, ao contrário, foi emitida pelo Dr. Arthur e avalizada pelo Sr. Fábio, caracterizando rolagem de dívida e pagamento de juros para poder cultivar e apresentar concertos de música erudita à população bragantina. (veja aqui os documentos originais.)

Embora a Sociedade tivesse uma história de 34 anos de serviços prestados à arte e à cultura, um arquivo de músicas clássicas utilizadas para animar as sessões do cinema de onde ela se originara, estantes de madeira, uma grande caixa (bumbo) e um piano doado pela diocesse de Bragança Paulista, não tinha sede própria. Ensaiava e tocava em lugares cedidos por empréstimo e em caráter provisório, quando, em 1962, sofreu a perda de seu primeiro líder, o então maestro Demétrio Kipman que, por razões familiares, resolveu dar por encerrada definitivamente suas atividades junto ao grupo.

Sob a liderança provisória de Ernesto Mascaretti, músico clarinetista da própria orquestra, tentava-se prosseguir com as atividades artísticas do grupo que, nesta ocasião, passara a ensaiar na sala da Casa de Saúde São Lucas, estabelecimento comercial de propriedade do Dr. João Batista Ciuffo, ex-presidente da orquestra.

A orquestra realizou sob a regência de Ernesto Mascaretti o concerto sinfônico em homenagem ao bi-centenário de Bragança Paulista, em 14 de novembro de 1963; seguiram-se os concertos de 27 de maio de 1964, 19 de junho de 1965 e uma preocupante e prolongada inatividade.

No último concerto em 19 de junho de 1965 estavam presentes apenas dois sobreviventes da orquestra fundada em 1931, Fábio Calzavara e Dario Giovaninni.

Diante da possibilidade real de encerramento definitivo das atividades da querida orquestra que ajudara a fundar, Fábio Calzavara junto com seu amigo, o professor Júlio Vilchez, resolveu convidar um novo regente para liderar a orquestra; esse convite foi dirigido ao jovem Fernando Amos Siriani, que tocava violino e viola e demonstrava interesse por composição.

Aceito o convite deu-se início a uma nova fase da orquestra sinfônica que, a essa altura, já contabilizava um magnífico terreno doado, ainda na época do maestro Demétrio Kipman, por dona Luzia de Lócio e Silva e seu filho Moacir e que clamava pela construção da tão sonhada Sede Própria.

 A Sede Própria: A Casa de Cultura 

Quando Dona Luzia de Lócio e Silva e seu filho Moacir doaram o terreno do que viria a ser a Sede própria estabeleceram as condições materiais para a segunda fase de sua existência, agora irreversível; nascia uma instituição de cultura cuja pedra fundamental seria fixada pelo Dr. Conrado Stefani, presidente da Sociedade à época.

Para que se compreenda melhor o que isto significa para seus integrantes é preciso recuar no tempo e buscar a origem da expressão “Casa de Cultura”, que foi agregada à Sociedade Sinfônica.

Ainda nos tempos heróicos da década de 60 surge a idéia de agregar a expressão “Casa de Cultura” ao nome da Sociedade Sinfônica: nessa época as pessoas ainda não sabiam o que isto significava. A finalidade era enquadrar-se para obter financiamento junto à Caixa Econômica Federal, numa linha de crédito que permitisse a construção do prédio de uma só vez, o que não foi possível; sugestão do Prof. Nantala El Bádue, intelectual e notável orador da Sociedade por vários anos.

Agregado o nome, a Sociedade passou a ter uma espécie de compromisso definitivo consigo mesma: abrir seu leque de atividades a fim de levantar recursos financeiros para a construção de sua Sede própria.

Quermesses eram organizadas para auxiliar na arrecadação de fundos; as senhoras e as crianças da sociedade encarregavam-se de sua execução; todos trabalhavam: músicos da orquestra e suas esposas, membros da Diretoria e esposas, além dos amigos da casa.

Tempos heróicos aqueles. Somente homens e mulheres muito especiais e iluminados pela chama do ideal poderiam acreditar dessa forma naquilo que estavam fazendo pela arte e pelas pessoas. A ajuda oficial era nula, embora os políticos procurassem uma aproximação proveitosa. A Sede própria foi levantada e coberta em 1978.

Ainda em 1976, para comemorar 45 anos da Sociedade Sinfônica, foi criada sob a presidência da Profª Guaraciaba Líbera Mathias, a Semana da Cultura que posteriormente foi transformada em Maio Cultural. Sua sede, tornou-se um centro de difusão da cultura em Bragança.

No dia 25 de abril de 1981, cerca de cinqüenta anos tinham se passado quando a orquestra ensaiou pela primeira vez em seu auditório ainda em fase de acabamento. Naquela oportunidade foi redigido um documento que, assinado por todos os presentes, encontra-se nos arquivos como preciosidade. Esta maravilhosa emoção foi vivida durante a Presidência do Sr. Oswaldo Baisi, cujo mandato durou onze anos. Veja as fotos históricas deste primeiro ensaio clicando aqui. Não foram poucos, todavia, os esforços do Dr. Arthur Ferreira Cintra, e demais presidentes que o sucederam, para construir os alicerces; e do Sr. João Siriani para construir a parte superior do prédio.

Dos quinze Presidentes somente o 1º e o 15º foram seus músicos, tendo sido os demais, pessoas que acreditavam e estavam dispostas a trabalhar pelos ideais dos fundadores. Nada menos do que doze gestões tiveram alguma forma de envolvimento com o período de construção do prédio.

Períodos, Presidentes e fatos relevantes:

1931 a 1944 - Ernesto Mascaretti – músico regente e compositor (foto) 
1945 a 1948 - Dr. Afonso Risi – organização formal 1º Estatuto (foto) 
1949 a 1951 - Jerônimo Martin Filho, 1ª gestão– recebeu o terreno em doação (foto) 
1952 a 1954 - Dr. Conrado Stefani – colocação da pedra fundamental (foto) 
1955 a 1958 - Dr. Arthur Ferreira Cintra – alicerces e estrutura (foto)
1958 a 1960 - Dr. João Batista Ciuffo – continuidade das obras do prédio (foto) 
1960 a 1962 - Dr. Regolo Anacleto Cechettini – cont. das obras e mod. parcial do projeto (foto)
1962 a 1964 - Dr. João Hermes Pignatari – administração (foto) 
1964 a 1970 - Jerônimo Martin Filho, 2ª gestão– administração (foto) 
1970 a 1971 - Dr. Orlando Bernardi – administração (foto) 
1971 a 1976 - Prof ª Guaraciaba Libera Mathias – piso inferior. Criação Semana da Cultura (foto) 
1976 a 1978 - João Siriani – Campanha do cimento. Obras da parte superior do prédio (foto) 
1978 a 1989 - Oswaldo Baisi – término da parte superior. Viagens. Apoio oficial a instituição (foto) 
1989 a 1991 - Luiz Gonzaga Pires Mathias – Iluminação. Estrutura metálica do palco (foto) 
desde  1991 - Dr. Walkir Calzavara, em exercício (foto)

Assim é a Sinfônica, uma Sociedade que agregou a seu nome a expressão “Casa de Cultura” para tentar obter um financiamento bancário que não se concretizou, que assumiu sua vocação desde os tempos em que, por empréstimo, ocupou um prédio da Diocese de Bragança denominado "Ação Católica" e apresentou à população artistas inesquecíveis às suas expensas. Todas estas realizações estão registradas em seus arquivos através de programas da época.

Com o tempo e muito trabalho de seus músicos, os verdadeiros baluartes, as diversas diretorias foram obtendo o necessário apoio oficial para uma causa nobre de valor inquestionável.

Hoje, importantes instituições da cidade ligam seus respeitáveis nomes às promoções Culturais da Sociedade.

Tornou-se de utilidade pública municipal pela Lei 29, de 30/07/1948, estadual pela Lei 5531, de 14/01/1960 e posteriormente cadastrada no Ministério da Cultura Cpc n. 35.003.363/87-21, passou a levantar recursos com promoções culturais, ficou auto-suficiente, custeou o estudo de música de alunos carentes, arcando com despesas de transporte e pagamento dos professores, transformou a ajuda financeira dos sócios e do poder público em espetáculos gratuitos para a população distribuindo-os ao longo do calendário anual, recebeu em doação, adquiriu e emprestou vários instrumentos para iniciantes, abriu seu espaço cultural para promoções filantrópicas, abrigou e apoiou manifestações artísticas de diversas correntes, enfim, passou a ser uma instituição rara no Brasil.

Rara por ser uma organização particular, sustentada por pessoas idealistas, apoiada pelo poder público que reconhece seus méritos, sem fins lucrativos, que cultiva a música como fonte de interesse de seus membros e que trabalha desde 1931 com competência e desprendimento no campo dos mais belos atributos humanos: a sensibilidade e a cooperação.

Sua rica história há de ser dividida em duas partes: antes e depois da construção de sua Sede própria e nela o agradecimento a todos aqueles que acreditam na Arte. Ao Poder Público, Municipal, Estadual e Federal, o registro de que sem ajuda os caminhos seriam ainda mais árduos.

A história do desenvolvimento da Orquestra Sinfônica sob regência dos Maestros Demétrio Kipman, Ernesto Mascaretti, Fernando Amos Siriani, Nasari Campos e Eduardo Ostergren, é composta por maravilhosos capítulos permanentemente escritos com sons musicais e somente isto, por si só, é incrível...

Bragança Paulista – SP, 
A Diretoria.